segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
domingo, 4 de outubro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
failure
All of old. Nothing else ever. Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.
Samuel Becket, Worstward Ho
Publicada por Maria
terça-feira, 25 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
o paradoxo do amor
Nós não podemos amar, filho. O amor é a mais carnal das ilusões. Amar é possuir, escuta. E o que possui quem ama? O corpo? Para o possuir seria preciso tornar nossa a sua matéria, comê-lo, incluí-lo em nós... E essa impossibilidade seria temporária, porque o nosso próprio corpo passa e se transforma, porque nós não possuímos o nosso corpo (possuímos apenas a nossa sensação dele), e porque, uma vez possuído esse corpo amado, tornar-se-ia nosso, deixaria de ser outro, e o amor, por isso, com o desaparecimento do outro ente, desapareceria...
Possuímos a alma? — ouve-me em silêncio — Nós não a possuímos. Nem a nossa alma é nossa sequer. Como, de resto, possuir uma alma? Entre alma e alma há o abismo de serem almas.
Que possuímos? Que possuímos? Que nos leva a amar? A beleza? E nós possuímo-la amando? A mais feroz e dominadora posse de um corpo o que possui dele? Nem o corpo, nem a alma, nem a beleza sequer. A posse de um corpo lindo não abraça a beleza, abraça a carne celulada e gordurosa; o beijo não toca na beleza da boca, mas na carne húmida dos lábios perecíveis em mucosas; a própria cópula é um contacto apenas, um contacto esfregado e próximo, mas não uma penetração real, sequer, de um corpo por outro corpo... que possuímos nós? Que possuímos?
As nossas sensações, ao menos? Ao menos o amor é um meio de nos possuirmos, a nós, nas nossas sensações? e, ao menos, um modo de sonharmos nitidamente, e mais gloriosamente portanto, o sonho de existirmos? e, ao menos, desaparecida a sensação, fica a memória dela connosco sempre, e assim, realmente possuímos...
Desenganemos até disto. Nós nem as nossas sensações possuímos. Não fales. A memória, afinal, é a sensação do passado... E toda a sensação é uma ilusão...
— Escuta-me, escuta-me sempre. Escuta-me e não olhes pela janela aberta a plana outra margem do rio, nem o crepúsculo (...), nem esse silvo de um comboio que corta o longe vago (...) — Escuta-me em silêncio...
Nós não possuímos as nossas sensações... Nós não nos possuímos nelas.
in Bernardo Soares, Livro do Desassossego
Publicada por Maria
autopoiese
Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos.
Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa. O onanista é objecto, mas, em exacta verdade, o onanista é a perfeita expressão lógica do amoroso. É o único que não disfarça nem se engana.
As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois «amo-te» ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma ideia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constitui a actividade da alma.
in Bernardo Soares, O Livro do Desassossego.
Publicada por Maria
domingo, 16 de agosto de 2009
The Waves
What should I do with you, waves, you who can never decide
whether you’re the first or the last?
You think you can define the coast with your constant wish-wash,
grind it down with your coming and going.
And yet no one knows how long the coastline really is,
where land stops, where land begins, and you’re forever changing
the line, length, lay, with the moon and unpredictable.
Consistent alone is your inconsistency.
Ultimately victorious since, as so often evoked, this wears away
the stones, grinds the sand down as fine as needed for
hourglasses and egg-timers, as required for calibrating time,
for telling the difference between hard and soft.
Victorious also because, never tiring, you win the contest who of us
will be the first to fall asleep, or you, being the ocean still,
because you never sleep.
Although colourless yourself, you seem blue
when the sky is gently mirrored on your surface, the ideal course
for being strolled upon by the carpenter’s son, the most changeable element.
And inversely, when you are wild and loud and your breakers thunder,
I listen between the peaks of your rollers, and from the highest waves,
from breaking spume, a thousand voices break away, mine,
yesterday’s ones that I didn’t know, that otherwise just whisper,
and all the others too, and in their midst the Nazarene.
Over and over again those stupendous five final words:
Why have you left me?
I hold my own, shout at each single wave:
Are you staying?
Are you staying?
Are you staying, or what?
Die Wellen (The Waves) , Einsturzende Neubauten
Publicada por Maria
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Beauty
You see half the moon, its crescent, and one of the planets, maybe Saturn, maybe Jupiter, in the early night sky over Berlin, through the windows of a taxicab, near Potsdamer Platz.
You think: Beauty
No, this is not beauty, maybe not, maybe, this is the rest of it, maybe not, maybe, the rest of beauty, maybe not, maybe, what remains of beauty, maybe not, maybe, what is visible, certainly, uncertain.
Your arms would not be able to strech as far as necessary to form an adequate gesture for beauty (You know that, don't you?)
So, beauty remains in the impossibilities of the body.
"Beauty", Einsturzende Neubauten
Publicada por Maria
quarta-feira, 1 de julho de 2009
terça-feira, 19 de maio de 2009
segunda-feira, 4 de maio de 2009
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Tinariwen
Os musicos guerreiros do Mali.
As guitarras soam muito melhor que as metralhadoras e a musica e mais uma arma.
O som e fantastico. A ouvir no My Space
http://www.myspace.com/tinariwenofficial
A comprar na pagina
http://www.tinariwen.com/media.php
Publicada por Maria